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sábado, 24 de outubro de 2015

2001 Uma Odisséia no Espaço - Arthur C. Clarke

Escrito entre 1964 e 1968, utilizando uma cientificidade que, para aquela época, era inédita, Arthur C. Clarke nos deixa uma obra fantástica, onde explora as viagens espaciais ainda por existir e a teoria do 'multiverso', de que não estaríamos sozinhos e que a Terra não é o único planeta a ter vida.

Aqui temos teorias incríveis sobre as possibilidades de conhecimento, sendo o homem um produto moldado por um ser maior, uma 'inteligência superior', de onde todos viriam e para onde todos vão, alguns com potenciais maiores, outros menos providos e que precisariam de mais tempo para alcançar os objetivos especificados por esta inteligência.

Explorando todas as possibilidades, com um texto riquíssimo em detalhes e informações que surpreendem, Clarke nos leva a viajar com os astronautas em uma nave hiper inteligente, enfrentar um robô déspota e encarar a morte por um aspecto completamente inesperado - se é que se pode considerar isso como tal.

Utilizando teorias existenciais que já figuram entre filósofos e outros estudiosos da evolução humana, Clarke demonstra ser bom conhecedor das diversas teorias do desenvolvimento humano, associando-as, muito satisfatoriamente, aos conhecimentos sobre informática e robótica, que àquela época, ainda eram escassos, talvez pouco divulgados.

Este é um livro para ler desejando ler suas continuações - 2010  e 3001 e só então, apesar de não estarem interligados, assistir ao filme de Stanley Kubrick.

Uma ótima dica e uma ótima leitura!

Nota 9,5!

sábado, 15 de agosto de 2015

A Cidade & A Cidade - China Miéville

Mais um ótimo livro deste autor.

Na excelente tradução de Fábio Fernandes (bastante conhecido pelas traduções da Editora Aleph e em livros de ficção científica).

Miéville nos apresenta aqui uma situação interessante: mesmo espaço geográfico,  duas cidades, em países diferentes.  Como isso é possível? É o primeiro pensamento que surge. Não o último.

Incrivelmente, o autor explora muito bem a realidade fantástica de Beśzel e Ul Qoma, cidades diferentes, em países diferentes,  mas que dividem o mesmo espaço geográfico, tornando possível a ocupação do mesmo espaço por dois "corpos" diferentes. 

Quando um crime acontece e a polícia do local não acredita ter meios de resolvê-lo, tenta passar a competência para a única esfera que é capaz de tudo: a Brecha. E muito acontece,  em diversas situações, transformando esse enredo, sem perder o fio da meada nas mudanças de comportamento de cada um dos personagens.

Ver e desver, sentir e dessentir, ignorar e fingir que nada aconteceu sem dar ênfase aos próprios pensamentos para não  violar uma das maiores leis locais,  compartilhadas por ambas as cidades e seus cidadãos: fazer brecha.

No início,  é complicado entender esse recurso explorado pelo autor,  porém logo nos primeiros capítulos fica claro para o leitor como deve ser essa leitura: rica em detalhes,  nuances e de muita figuração.

Utilizando livremente os recursos de linguagem e unindo diversos temas bastante explorados na literatura,  como a fantasia e, ao mesmo tempo,  a ficção científica, o policial e o suspense, Miéville demonstra claramente que é um dos grandes autores deste momento, utilizando seus conhecimentos de forma magistral,  para nos presentear com essa fantástica história onde utiliza muito bem elementos de suspense,  medo, obediência, diferenças e percepções, tantas vezes sendo necessário ignorar ou valorizar uma ou outra no decorrer das páginas.

Depois de Rei Rato, não esperava menos. 


Resta-nos agora esperar que a Boitempo Editorial traga os demais livros do autor e que sejam tão bons quanto esses dois.

Nota 9,5!