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quarta-feira, 1 de março de 2017

Perdidos na Babilônia - Peter Lerangis

O mês ainda não havia acabado e eu fiquei bastante curiosa para saber o que acontecia depois do final de A ascensão do Colosso .


#Livro3 de 2017, Perdidos na Babilônia é o segundo volume da saga As Sete Maravilhas, de autoria de Peter Lerangis.

Bem mais dinâmico que o primeiro volume, este livro já se inicia dentro de uma grande aventura. E tantas outras acontecem ao longo das páginas, prendendo o leitor fiel à história, na expectativa de descobertas e soluções de situações que ficam pendentes no final do primeiro volume.

O autor se apropria bem de seus personagens, mostrando que falhas de caráter existem e dependem muito do contexto social de cada pessoa.

Conhecemos uma incrível suposição de sobreposição de tempo e espaço, criando um continuum bastante interessante. E, claro, a trama ganha mais cor e sabor neste segundo volume.

A partir do terceiro terço, o livro se torna quase "inlargável", graças aos MUITOS e surpreendentes acontecimentos da história, que se desenrola em lugares de grandes significados da história do mundo, extremamente bem descritos e cheios de detalhes inesperados.

Este sim, vale bem a leitura.

Nota 9.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

A Ascensão do Colosso - Peter Lerangis

Livro #2 de 2017. 

Desafio literário me pedia esse mês um livro com um dragão na capa. (Só no final foi que descobri que não era um dragão!) Escolhi A Ascensão do Colosso, de Peter Lerangis. Volume 1 da série As Sete Maravilhas.

Lerangis é norte americano e tem na conta mais de 150 livros, entre eles várias séries. 

Em, A Ascensão do Colosso temos uma história desenhada para ser divertida, cativante e de leitura sequencial e rápida. 

No início, sem compreender muito bem a proposta do autor por não ter lido nada sobre a série, eu esperava uma história mais pesada, com mais detalhes históricos, mais cansativa de ler e fui surpreendida por algo diferente.

Por conta de uma alteração genética rara e pouquíssimo crível, um grupo de jovens têm sua vida em risco e, com a ajuda de uma organização secreta, precisam resolver vários enigmas e enfrentar muitos desafios para, quem sabe, conseguirem resolver seu próprio problema.

Provavelmente buscando atingir o público adulto jovem e, até mesmo, adolescentes, o autor utiliza palavras de fácil compreensão, com linguagem bem atual, gírias e contextualiza a história na atualidade, utilizando termos como Google Maps, Angry Birds, entre outros, o que faz o leitor se sentir em casa e, inclusive, participando ativamente da história.

O começo da história é bastante descritivo e um tanto lento, mas logo depois das 30 primeiras páginas a coisa já começa a ficar bem agitada e muito interessante, pois já percebemos jogos de vida ou morte, tramas, desafios entre os personagens e várias aventuras para conseguir atingir seus objetivos. Isso deixa a leitura muito mais dinâmica, rápida e gostosa de aproveitar.

Lerangis deixa o final com a vontade de pegar o livro seguinte, porém no Brasil acaba de ser publicado o terceiro volume da série - que, eu suponho, será composta por 7 livros. 

É uma história para ler e se divertir, além de atualizar alguns conhecimentos históricos. Envolvendo a história do Reino Perdido de Atlântida, deve ter sido bastante interessante a construção desta série. Pois ela apresenta situações reais em locais reais, associando tudo isso ao grande mistério do sumiço do continente antigo.

É uma leitura que vale a pena, mas que não exige pressa. E mesmo para mim, que adoro literatura fantástica, achei que o livro poderia ser melhor. Aguardemos os próximos volumes.

Nota 7,5.

sábado, 22 de agosto de 2015

Eva - Anna Carey


Homens e mulheres,  segregados,  odiando-se.

Um abrigo apenas para mulheres,  seu refúgio e proteção,  onde homens não são permitidos pois sua natureza é violenta e agressiva,  impositiva e desrespeitosa.

É  nesse contexto que Anna Carey baseia sua história.

Uma história distópica, onde uma grande e grave praga matou muitos e um homem assumiu o poder mundial, criando uma "sociedade perfeita", usando órfãos como escravos e poder político para manipular os adultos que sobraram, os convencendo de que era possível construir uma "Nova América".

O contexto é interessante,  remetendo o leitor ao 'Admirável Mundo Novo' de Huxley, porém um tanto surreal, sendo o ano de 2032 onde Eva se percebe na 'selva', apenas 16 anos depois da grande praga - ou seja, ano que vem.

Desconsiderando este pequeno, porém importante, detalhe, a a autora tenta apresentar uma nova visão a outro grande clássico literário, desta vez inglês - O Paraíso  Perdido, de John Milton, sendo, do meu ponto de vista até este momento,  uma tentativa um tanto frustrada.

Eva recebe toda a atenção da autora,  que desvia o foco de todos os demais personagens,  não lhes dando profundidade e local na trama diferente de apenas serem "degraus" para Eva. Caleb, o grande amor, ou mesmo o grande antagonista,  o Rei, não são apresentados ao leitor,  deixando a entender que, talvez nos próximos volumes recebam seus papéis nas palavras de Carey. Talvez.

De um modo geral, a leitura é gostosa,  fluida e com elementos interessantes,  passando um tanto longe da fantasia mas sempre remetendo a ela.

Será uma série em 3 volumes,  tal qual Jogos Vorazes e Divergente, entre tantos outros nos últimos anos,  sendo assim podemos esperar mais profundidade na história, e torcer para que aconteça. Apesar de voltada ao público mais juvenil, pode garantir diversão a todos os públicos,  basta não ser tão exigente, e esperar bastante simplicidade ao pegar este livro para ler.

O segundo volume já foi lançado no Brasil, recebendo o título de Uma vez (Once, em inglês), e já  entrou na fila para os próximos meses.

Nota 6,5!

sábado, 15 de agosto de 2015

A Cidade & A Cidade - China Miéville

Mais um ótimo livro deste autor.

Na excelente tradução de Fábio Fernandes (bastante conhecido pelas traduções da Editora Aleph e em livros de ficção científica).

Miéville nos apresenta aqui uma situação interessante: mesmo espaço geográfico,  duas cidades, em países diferentes.  Como isso é possível? É o primeiro pensamento que surge. Não o último.

Incrivelmente, o autor explora muito bem a realidade fantástica de Beśzel e Ul Qoma, cidades diferentes, em países diferentes,  mas que dividem o mesmo espaço geográfico, tornando possível a ocupação do mesmo espaço por dois "corpos" diferentes. 

Quando um crime acontece e a polícia do local não acredita ter meios de resolvê-lo, tenta passar a competência para a única esfera que é capaz de tudo: a Brecha. E muito acontece,  em diversas situações, transformando esse enredo, sem perder o fio da meada nas mudanças de comportamento de cada um dos personagens.

Ver e desver, sentir e dessentir, ignorar e fingir que nada aconteceu sem dar ênfase aos próprios pensamentos para não  violar uma das maiores leis locais,  compartilhadas por ambas as cidades e seus cidadãos: fazer brecha.

No início,  é complicado entender esse recurso explorado pelo autor,  porém logo nos primeiros capítulos fica claro para o leitor como deve ser essa leitura: rica em detalhes,  nuances e de muita figuração.

Utilizando livremente os recursos de linguagem e unindo diversos temas bastante explorados na literatura,  como a fantasia e, ao mesmo tempo,  a ficção científica, o policial e o suspense, Miéville demonstra claramente que é um dos grandes autores deste momento, utilizando seus conhecimentos de forma magistral,  para nos presentear com essa fantástica história onde utiliza muito bem elementos de suspense,  medo, obediência, diferenças e percepções, tantas vezes sendo necessário ignorar ou valorizar uma ou outra no decorrer das páginas.

Depois de Rei Rato, não esperava menos. 


Resta-nos agora esperar que a Boitempo Editorial traga os demais livros do autor e que sejam tão bons quanto esses dois.

Nota 9,5!