domingo, 19 de fevereiro de 2017

A Ascensão do Colosso - Peter Lerangis

Livro #2 de 2017. 

Desafio literário me pedia esse mês um livro com um dragão na capa. (Só no final foi que descobri que não era um dragão!) Escolhi A Ascensão do Colosso, de Peter Lerangis. Volume 1 da série As Sete Maravilhas.

Lerangis é norte americano e tem na conta mais de 150 livros, entre eles várias séries. 

Em, A Ascensão do Colosso temos uma história desenhada para ser divertida, cativante e de leitura sequencial e rápida. 

No início, sem compreender muito bem a proposta do autor por não ter lido nada sobre a série, eu esperava uma história mais pesada, com mais detalhes históricos, mais cansativa de ler e fui surpreendida por algo diferente.

Por conta de uma alteração genética rara e pouquíssimo crível, um grupo de jovens têm sua vida em risco e, com a ajuda de uma organização secreta, precisam resolver vários enigmas e enfrentar muitos desafios para, quem sabe, conseguirem resolver seu próprio problema.

Provavelmente buscando atingir o público adulto jovem e, até mesmo, adolescentes, o autor utiliza palavras de fácil compreensão, com linguagem bem atual, gírias e contextualiza a história na atualidade, utilizando termos como Google Maps, Angry Birds, entre outros, o que faz o leitor se sentir em casa e, inclusive, participando ativamente da história.

O começo da história é bastante descritivo e um tanto lento, mas logo depois das 30 primeiras páginas a coisa já começa a ficar bem agitada e muito interessante, pois já percebemos jogos de vida ou morte, tramas, desafios entre os personagens e várias aventuras para conseguir atingir seus objetivos. Isso deixa a leitura muito mais dinâmica, rápida e gostosa de aproveitar.

Lerangis deixa o final com a vontade de pegar o livro seguinte, porém no Brasil acaba de ser publicado o terceiro volume da série - que, eu suponho, será composta por 7 livros. 

É uma história para ler e se divertir, além de atualizar alguns conhecimentos históricos. Envolvendo a história do Reino Perdido de Atlântida, deve ter sido bastante interessante a construção desta série. Pois ela apresenta situações reais em locais reais, associando tudo isso ao grande mistério do sumiço do continente antigo.

É uma leitura que vale a pena, mas que não exige pressa. E mesmo para mim, que adoro literatura fantástica, achei que o livro poderia ser melhor. Aguardemos os próximos volumes.

Nota 7,5.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O Clone de Cristo - J. R. Lankford

Para o mês de janeiro, um livro de capa VERDE.

Entre todos os que peguei na mão, o escolhido foi O Clone de Cristo, primeiro romance de J. R. Lankford. 

Jamilla Lankford é engenheira. Com uma bela carreira internacional que abandonou, decidindo-se, em 1993,  a se dedicar à literatura, tendo, inclusive, fundado sua própria agência alguns anos mais tarde.

Nesta obra, Lankford aborda um tema bastante controverso: clonagem humana. E conseguiu fazer com que isso fosse o menos controverso de tudo, pois o clone viria justamente do Santo Sudário. 

Em um romance policial (talvez, até, médico?) bem escrito, a autora nos apresenta situações onde perda daquilo que se acredita verdadeiro leva a uma busca por referências familiares, sentimentais, e de crenças que podem, eventualmente, estarem em desencontro àquilo que se foi levado a crer. 

Ainda que pareça confuso, é isso o que autora nos mostra: Desencontros, perdas, medos, ansiedade, desespero, dor, fé, amor.

No meio de tudo isso, a busca pela verdade, pela solução de um grande dilema histórico, e, ao mesmo tempo, o desespero e a fuga de situações de vida ou morte. 

No transcorrer das quase 400 páginas, a autora apresenta um texto agradável, uma trama bem construída, muito bem embasada na história do mundo. Quando os critérios médicos são exigidos, estes são apresentados com riqueza de detalhes, que, talvez, até canse um pouco o leitor um pouco menos conhecedor do mundo da medicina. 

Entretanto, em momento algum, ocorre a perda de interesse nesta leitura.

Em determinados momentos, o texto se torna mais frenético, obrigando o leitor a, praticamente, devorar as páginas que se seguem, até atingir momentos de calmaria. Há, inclusive, momentos tão desesperadores que podem levar o leitor às lágrimas - literalmente. 

O final, laureado de modo surpreendente, deixa o leitor boquiaberto. Deixando o leitor com gosto de quero mais, esperando virar mais páginas e descobrir o que acontece depois.

De acordo com a editora que publicou esta edição, Saída de Emergência (hoje, no catálogo da Editora Arqueiro), a autora hoje trabalha em outro romance, sobre o navegador Vasco da Gama. Quando, e se, for lançado por aqui, deve ser uma obra que desperte a atenção dos bons leitores que gostam de um romance histórico. 

Quanto aO Clone de Cristo, recomendo fortemente a leitura. 

Nota 9,5.

Desafio Literário 2017

Ler é um hábito. 

Um hábito do qual eu gosto bastante. Estou sempre lendo alguma coisa. Entretanto, por conta das mudanças nos horários e nas demandas, no último ano li metade dos livros que li no ano anterior. Este ano, resolvi tentar seguir um desafio que achei ser interessante e que me pareceu minimamente plausível: Um livro por mês, no mínimo, com características específicas.


Comecei devagar, com muitas leituras técnicas em janeiro e muitos desafios para este ano no setor profissional e pessoal, mas vamos que vamos. Pelo menos uma leitura não técnica por mês deve ser possível. 

E aí, o que acham deste desafio?

Se vierem mais, melhor. Se não, paciência. 

Bora curtir o que já se tem! :)

O primeiro consegui terminar hoje. A resenha vem logo mais! ;)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

As Aventuras de Tom Sawyer - Mark Twain

No início de dezembro passado, terminando um livro e conversando com um amigo muito querido, recebi a indicação de leitura de As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain.

Thomas Sawyer é um menino órfão de pai e mãe, que vive com seu irmão Sid, ambos criados pela tia Polly. É uma criança alegre, que adora brincar, se divertir e demonstra grande sofrimento com a necessidade de ir à escola ou à igreja aos domingos, tendo apenas o sábado de folga para se divertir à vontade.

Acontece que em um destes sábados, por ter aprontado mais uma das suas, recebe um castigo que o deixa desolado, mas que ele mesmo, com suas artimanhas, consegue revertê-lo em seu próprio benefício, sem, com isso, deixar de cumprir com a tarefa imposta por sua tia Polly.

Em sua cabeça, milhares de possibilidades surgem, uma sempre mais atraente que a anterior, e os caminhos para atingir os objetivos são, geralmente, trilhados com o grande amigo Huckleberry Finn [que posteriormente tem sua história contada em um livro único e denominado o melhor livro do autor]. Mas, mesmo sendo um grande amigo, Tom não revela a Huck sua paixão por Becky, paixão que durante grande parte da história dá um verdadeiro susto na população da aldeia onde vivem e, por alguns breves instantes, também no leitor.

No decorrer de todas as suas aventuras, Tom e Huck acabam protagonizando juntos o último terço do livro, mostrando o quanto crianças podem ser maduras em alguns momentos da vida. 

Ainda que de grande ingenuidade, Tom e sua turma acreditam em todos os rituais, rezas e tudo o mais que escutam. Além disso, o autor trabalha a relação de confiança entre os personagens infantis, além de trabalhar isso também entre os personagens adultos, que, no fim das contas, não parecem tão mais maduros assim que as crianças.

Há trechos na história em que o leitor é quase carregado nos braços, noutros é deixado no chão a arrastar as próprias pernas. É uma história leve, com um perfil mais puxado para literatura infanto-juvenil, mas que não deixa absolutamente nada a desejar para o público adulto, pois leva cada leitor a relembrar seus tempos de criança.

Gostei muito da leitura. 
Huck Finn já é o próximo da fila! 

Nota 9,5! 

sábado, 26 de novembro de 2016

A Hora do Lobisomem - Stephen King

King sempre está presente! 

Escrito no ano de 1983, este pequeno livro foi desenvolvido por um desafio feito ao autor em 1979, durante o World Fantasy Award.

A ideia era criar uma história-calendário, com eventos ocorrendo mês a mês e deu a oportunidade para que King criasse sua história de lobisomem.

O livro é curto (na versão digital são 56 páginas), e mostra a pacata cidade de Tarker's Mills, ao norte do Maine, onde, repentinamente, começam a ocorrer incidentes bizarros, atribuídos a algum psicopata pelo população local.

Entretanto, é bem diferente disso. 

E, mesmo em poucas páginas, é uma história bastante agradável e que prende o leitor ao longo dos parágrafos e provoca, até mesmo, aquela pequena falta de ar em determinados momentos.

A narrativa mostra situações do dia a dia, convertidas em momentos de terror para alguns dos personagens e deixa o leitor bastante curioso, apesar da deixa que facilita bastante descobrir o responsável por todos os ataques.

É um livro para ler rápido e chegar ao final levemente ofegante. 

Uma boa leitura.

Nota 8,5!

A Tirania das Dietas - Louise Foxcroft

Essa semana tive o prazer de ler essa contextualização incrível da história das dietas. Já há algum tempo esse livro aguardava sua vez na fila.

Com base em alguns textos que li, esperava uma crítica mais ferrenha, e recebi algo muito melhor!

Louise Foxcroft, doutora em História da Medicina, aborda de uma maneira bastante sutil e imparcial todo o contexto que nos leva a buscar mudanças corporais, tantas vezes desnecessárias.

Em A Tirania das Dietas, Foxcroft nos contextualiza alguns dos momentos e motivos da necessidade de 'perder peso' e modelar o corpo. 

Ao mesmo tempo, mostra o quanto a mulher é responsabilizada pela própria "desgraça" e, consequentemente, da "desgraça" de sua família, mais especificamente, de seu marido, já que elas os "superalimentavam com a finalidade de torná-los mais dóceis, cordatos, acríticos e burros" (grifo meu).

E quando se avalia a história das dietas é impossível não citar todos os que encheram os bolsos e as contas bancárias com a infelicidade alheia, contudo, ao mesmo tempo, nunca estavam satisfeitos e as críticas se perpetuam e se repetem infinitamente - deste modo, a indústria das dietas nunca perde.

É interessante perceber o quanto as cobranças de hoje são tão similares às cobranças no século XVI e XVIII para que a mulher seja linda, bela, perfeita e seja a responsável por tudo isso por si mesma. E o quanto o comer deveria ser cuidado, avaliado, mensurado antes de ser efetivado. E, comer por prazer, jamais!

Apesar das cobranças serem, principalmente, em relação à mulher, é importante essa contextualização para entendermos que tudo o que temos hoje em termos de dietas - dos gurus aos médicos que fazem milagres e dietas com grandes limitações em grupos alimentares - se repete desde os tempos antigos, recebendo nomes diferentes, e vindas de outras pessoas, é claro.

Ao final, Foxcroft faz um balanço geral, concluindo com o que parece ser muito claro e óbvio, mas que traz resultados a longo prazo e deveriam ser mudanças em um contexto de vida, não de um momento da vida:

"[...] É um processo lento, dificultado pelo nosso hábito de recompensas instantâneas e uma luxuriante variedade de alimentos. Os psicólogos dizem que você precisa usar o 'pensamento duplo' - ser otimista quanto à conquista da meta, mas também realista quanto a alguns dos obstáculos no caminho. O que precisamos é de uma ênfase diferente, que se afaste resolutamente das noções entranhadas de fracasso e fraqueza. Não podemos e não devemos separar a história das dietas da história da saúde, mas podemos fazer algo a respeito do peso do julgamento e do estigma do pecado e da tentação. Precisamos repensar, e radicalmente, a satisfação. O que precisamos é retornar à antiga filosofia grega [...]: devemos retomar o controle e deixar de ser escravos de paixões que se revelam não mais que engodos."

Para aqueles que estudam a respeito da alimentação e, também, para os que buscam um motivo para as mudanças, esse livro é muito bom. 

Penso que todo mundo deveria ter contato com essa obra, pois assim, quem sabe, entenderemos que não é um alimento que engorda, mas o que e como ele faz por nós, indivíduos que o comemos.

Nota 9,5!

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Precisamos falar sobre o Kevin - Lionel Shriver

Esta última leitura foi um grande desafio autoimposto. Principalmente por algumas questões pessoais de crenças e condutas, como pessoa e como mãe. Como reagimos e nos comportamos em diversas situações da vida, do cotidiano e diante de adversidades.

Precisamos Falar Sobre o Kevin é um livro que fala sobre maternidade, seus louros e suas dificuldades, tanto quanto fala sobre psico ou sociopatia (eu nunca consegui entender, claramente, a diferença entre os dois, já que um, para mim, sempre leva ao outro).

Shriver nos introduz à história mostrando o cotidiano de um casal, com todos os requisitos básicos de um casal comum e nos leva aos caminhos obscuros da mente de uma mulher que está feliz, mas que sente que 'ainda falta alguma coisa'. 

E essa coisa surge: seu filho - Kevin. Com o nascimento de Kevin começam as diversas situações que são belamente descritas em cada uma das cartas de Eva - até à última delas. Deixando o leitor desolado, com um final dramático e triste, de uma relação, porém, ao mesmo tempo com o início de outra.

A percepção da ausência de sentimentos pelo filho ou a percepção da distorção destes sentimentos é algo bastante discutido durante as muitas cartas que Eva escreve para Franklin, seu marido. Ao mesmo tempo, perceber-se no filho pequeno e aceitar as muitas mudanças que a maternidade trouxe  à sua vida são grandes desafios.

A autora aborda um tema delicado de ser trabalhado, mas o mescla com um tema super comum que é a maternidade. Entretanto, o jogo da história mostra que nem só de flores são feitas as mães e o fato de haver, ou não, um determinado sentimento não define a relação de uma mãe e seu filho. Do mesmo modo, a relação entre esses dois indivíduos é permeada de desejos, sentimentos, vontades, repulsas, medos... E, feliz ou infelizmente, a sociedade mostra-se sempre pronta à julgamentos, nem sempre plausíveis ou necessários.

De modo geral, apesar dos diversos momentos de tensão, de medo e de raiva ao longo das quase 500 páginas desse livro, as emoções, dispostas de modo tão visceral em alguns momentos, conduzem muito bem o leitor, fazendo-o sentir e pensar junto com Eva a relação com o filho problemático.

É uma leitura densa, carregada de emoções das mais diversas, que provoca e nos leva a pensar na nossa conduta individual diante das diversas situações da vida, do dia a dia, como pessoa, como pai e mãe, como filhos. 

E, ainda que em alguns momentos a vontade de largar de lado a leitura se sobressaia, vale a pena insistir. A carta seguinte sempre apresenta uma novidade.

Vale cada página!

Nota 9!